Sr. António – reformado, observador e bem-disposto.
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Dona Emília – vizinha curiosa.
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Jorge – funcionário de uma empresa de publicidade.
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Pedro – jovem distraído.
(Uma praça de uma pequena cidade. Há cartazes por todo o lado: nas paredes, nos postes e até num banco de jardim.)
Sr. António: Isto já não é uma praça... é um álbum de cromos!
Dona Emília: Ainda ontem arrancaram um cartaz de um concerto e apareceram três a ocupar o lugar.
Sr. António: Devem reproduzir-se durante a noite.
(Entra Jorge com um enorme rolo de cartazes.)
Jorge: Bom dia! Venho colocar mais alguns cartazes.
Sr. António: Mais? Onde?
Jorge: Ainda encontrei um poste onde se vê a madeira.
Dona Emília: Isso é gravíssimo! Não pode haver um poste sem publicidade!
(Entra Pedro, completamente distraído, a olhar para o telemóvel.)
Pedro: Desculpem... alguém viu a estátua da praça?
Sr. António: Claro que vimos... há cinco anos.
Pedro: Então onde está?
Dona Emília: Atrás daquele cartaz das promoções, do festival de verão, da pizzaria e da campanha eleitoral.
(Pedro afasta alguns cartazes e encontra finalmente a estátua.)
Pedro: Ah! Afinal ela ainda existe!
Jorge: Excelente! Vou aproveitar e colar aqui mais um anúncio.
Sr. António: Não faça isso! Daqui a pouco temos de pagar bilhete para visitar a estátua!
Dona Emília: Ou então vendemos espaço publicitário aos pombos.
Jorge: Aos pombos?
Sr. António: Sim! São os únicos que ainda conseguem ver os cartazes todos... lá de cima!
(Todos se riem. Nesse momento, um cartaz mal colado cai mesmo em cima do Jorge.)
Jorge: Acho que este anúncio acabou de me convencer...
Sr. António: Finalmente! O primeiro cartaz que fez o seu trabalho!