atmosfera única, quase palpável: é o exato ponto de viragem entre o repouso e o recomeço. É um tempo paradoxal, onde a calma dos últimos momentos de folga se mistura com a pressa silenciosa do futuro que se aproxima.
É o momento em que a intensidade do fim de semana começa a dissipar-se. Aquele cheiro a café tardio, o eco das gargalhadas de sábado e a promessa de descanso matinal dão lugar a uma tranquilidade reflexiva. A luz do sol, já mais baixa e com um tom alaranjado, entra pela janela e ilumina o pó que não foi limpo, as páginas do livro que ficaram por terminar e, mais importante, a nossa própria mente.
Esta é a hora do balanço não oficial. Onde a mente, quer queira quer não, começa a traçar a lista de tarefas da segunda-feira. Surge a melancolia leve – a famosa "síndrome do domingo" – uma vaga tristeza pela inevitabilidade do fim. Olhamos para o relógio e sentimos o tempo a correr mais depressa, como areia entre os dedos, porque cada minuto é um minuto a menos na nossa bolha de liberdade.
No entanto, a tarde de domingo é também um convite à gratidão. É o espaço que nos resta para absorver o descanso, para recarregar as energias, para um último abraço demorado ou um chá quente na varanda. É um lembrete de que, mesmo na antecipação do trabalho e das obrigações, existe sempre um pequeno santuário de pausa.
É um tempo que nos força a confrontar o fim e o início. Uma pausa que, se for bem aproveitada, nos permite respirar fundo e aceitar que o ciclo vai recomeçar.
Portanto, na tarde de domingo, permit
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